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Hoje acordei com um aperto estranho no peito. Uma mistura de tristeza, tédio e inquietação. Como se algo estivesse sempre fora do lugar. Foram seis anos de amor, verdade, esperança e entrega na DaFeira. Tanto pulsar, tanto sentimento colocado ali que pensar no fechamento ainda me traz um gosto de fracasso — esmagador, quase sufocante.

E daí, quando algo mínimo escapa do meu controle, eu explodo. Parece exagero, mas faz sentido: é o peso de um ciclo que ainda não se encerrou por completo. Sinto vontade de ser validada, elogiada, reconhecida. Talvez por isso me agarre tanto à ideia de ter a casa em ordem — porque é o que consigo controlar agora.

A falta que sinto da loja é enorme. Com a DaFeira eu queria honrar minha mãe e minha vó, deixar um legado para a Bibi. Queria que ela tivesse orgulho da grande empresa que sonhei construir. Ao mesmo tempo, viver a leveza da sala da GESTA me traz paz. Mas sinto também a necessidade de recolhimento, de ficar sozinha, de silenciar.

Ainda há muito a fazer: analisar o financeiro, vender o que resta do estoque, me desfazer de equipamentos e móveis. Às vezes sinto como se eu mesma estivesse presa junto a esses itens — e que a verdadeira liberdade só virá quando tudo for vendido. Racionalmente, sei o que precisa ser feito. Mas emocionalmente… me sinto uma bagunça.

E no fundo carrego essa pressão: ser uma mulher de 48 anos que parece estar recomeçando mais uma vez. Recomeçar não deveria ser peso, mas coragem. Ainda assim, às vezes penso na trilha de pessoas que posso ter decepcionado no caminho.

A GESTA completou um ano. Mas a Ritoca por trás dela já vem caminhando há muito tempo. Fui tantas coisas nessa jornada: CLT, consultora independente pela Assertiva, empresária de produtos físicos com a DaFeira, CLT novamente por alguns meses, ampliei a DaFeira com cafeteria e coworking, segui firme com a Assertiva e agora, junto com Eduardo, construo a GESTA. Não sei se estou pronta, não sei até onde vai dar certo. Mas eu sigo.

Sigo porque hoje, numa reunião pela manhã, vi um cliente respirar mais leve ao tomar decisões — e isso aqueceu meu coração. Sigo porque meu propósito se revela no meio da caminhada, mesmo sem respostas prontas.

Talvez eu precise apenas de um tempo comigo mesma. De uma casa organizada, limpa, cheirosa. Um espaço livre das coisas da DaFeira, do mofo, da sobrecarga. Talvez seja isso que vai me devolver a sensação de que eu sou capaz.

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