Quem é que faz a alegria da mãe?

Hoje faz seis anos que a Ruthinha deixou este plano. E este 07 de setembro tem doído mais do que outros. Talvez porque, durante muito tempo, a DaFeira tenha sido meu jeito de ainda tê-la fisicamente aqui. Cuidar da loja era, de alguma forma, cuidar dela.
Sei que pode não fazer sentido racional, mas para o coração fazia. Hoje, sem a DaFeira, a saudade é tão densa que parece que posso tocá-la.
Minha mãe foi mãe, pai e melhor amiga em uma só pessoa. Lutou para me criar sozinha quando meu pai ia e vinha. Protegeu minha infância fingindo que ele tentava estar presente, mesmo quando não estava. Professora apaixonada, mulher de um metro e cinquenta que parecia gigante, enfrentou a artrite reumatoide sem jamais deixar de ser imparável.
Como mãe, foi uma leoa. Como avó, voltou a ser criança — brincou, amou e aproveitou cada instante com a neta. Deixou um legado imenso, não só em mim, mas em todos que tiveram a sorte de aprender com ela.
E se tem algo que sempre vou carregar dela é o nosso canto particular. Ao som de Leãozinho, do Caetano Veloso, ela perguntava cantando:
🎵 “Quem é que faz a alegria da mãe?”
E respondia também em música:
🎵 “Tata de Cássia…”
Assim me embalava, junto do conselho que nunca esqueci:
“Filha, lembra sempre… tua única obrigação nesta vida é ser feliz.”
Esse era o jeito dela de transformar amor em música, força em cuidado, e de me lembrar que, apesar de todas as lutas, a felicidade era sagrada.
O DaFeira foi meu altar para ela por seis anos. Cuidando de outras famílias, eu sentia que ainda podia seguir cuidando dela. Mas agora, este blog se torna meu jardim de palavras — um espaço onde sigo deixando minha mãe viva além de mim, além da minha filha, além da memória.
E aqui, escolho guardar também as palavras do meu avô, que ela tantas vezes repetia:
“A morte não é a despedida.
A morte não é o fim da vida.
A morte é a vida fazendo a vida acontecer.”
Se minhas palavras alcançarem um aluno dela, um colega, ou até alguém desconhecido que viva algo parecido, que encontrem aqui leveza e conforto, então saberei que sigo espalhando o legado da Ruthinha.
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